Governador resiste pressão do PR; Geraldo de Vitto deixa secretaria

Acuado por causa do escândalo do superfaturamento na compra de maquinário pelo Estado, Geraldo de Vitto vai mesmo cair.

Ele será exonerado do cargo de secretário de Administração até esta terça.

O governador Silval Barbosa não cedeu as pressões da direção estadual do PR e da bancada do partido, que até o procurou pessoalmente nesta segunda, no Palácio Paiaguás, para defender a permanência de Geraldo no primeiro escalão.

O chefe do Executivo sugeriu que seria melhor o secretário pedir exoneração para dar mais transparência às investigações.

Entende que o secretário não deve ter envolvimento no processo viciado, mas, mesmo assim, seria melhor se desligar da administração para, assim, haver uma contribuição para com a lisura do processo. Agora, caberá a Geraldo, que integra o staff desde o início do governo Blairo Maggi, em 2003, pedir para sair.

O blog apurou com exclusividade que Geraldo, sem respaldo do Palácio Paiaguás, mandou elaborar uma carta de exoneração. Sob um clima tenso, ele deve entregá-la ao governador já nesta segunda à noite. A situação ficou insustentável para o lado do secretário de Administração, assim como para Vilceu Marchetti, que pediu exoneração na última sexta, dois dias após estourar o escândalo nacional acerca de sobrepreço na aquisição de 705 máquinas por R$ 241 milhões. Todo o processo foi montado pela Infraestrutura. A maior culpa recai sobre os ombros de Vilceu e assessores. Coube à Administração realizar o pregão presencial e, à Fazenda, sob Eder de Moraes, efetuar o pagamento às empresas.

Após participar da reunião ampliada da executiva regional do PR, o presidente do partido, deputado federal Wellington Fagundes, e o secretário-geral Emanuel Pinheiro foram ao governador "implorar" pela permanência de Geraldo de Vitto. Levaram juntos para reforçar o movimento pró-Geraldo alguns deputados do partido na Assembleia, como Wagner Ramos e João Malheiros. Não conseguiram convencer o governador. Silval enfatizou que, para facilitar as investigações e o trabalho da Delegacia Fazendária e do Ministério Público, seria melhor Geraldo pedir exoneração. A direção do PR interveio porque Geraldo é o único do primeiro escalão que integra a Executiva regional.

Em verdade, Silval conseguirá ter um fôlego maior para administrar com essa decisão combinada de exonerar o secretário de Administração. Geraldo é um dos que mais acumulam desgaste. Ele já estava no olho do furacão desde o ano passado, quando viu transformar num fiasco a primeira tentativa de realizar o maior concurso público do país, com 271 mil inscritos para 10.086 vagas. A falta de logística da Unemat na organização, aliada a fraudes, com vazamento de gabarito das provas, trouxe desgate ao governo, que conseguiu, depois, realizar o certame em três etapas.

A atuação de Geraldo nos processos licitatórios de uma máquina que detém orçamento de quase R$ 10 bilhões por ano contraria uma série de interesses. Com a saída de Maggi e a posse de Silval, em 31 de março, a direção do PMDB, mesmo partido do governador, bateu duro para provocar a queda de Geraldo de Vitto. Mesmo assim, ele foi mantido. Agora, com estouro de nova bomba, o Paiaguás não teve mais como segurá-lo no primeiro escalão.

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